Prezados amigos e companheiros da Resistência antifascista,

A queda do fascismo só chegou a Portugal em 1974, com a revolução que ficou conhecida no mundo como a Revolução dos Cravos.
Com a  Revolução antifascista o povo português criou em Portugal um regime de Democracia avançada, abrangendo, além da democracia política, vertentes económicas e sociais, que abriram possibilidades de grandes passos em frente do nosso país para superar as condições de miséria , injustiças e obscurantismo que meio século de ditadura fascista e 12 anos de guerras coloniais tinham imposto ao nosso povo.
É com profunda preocupação que nós, resistentes e antifascistas, vemos emergir na sociedade portuguesa, 30 anos após a  instauração da democracia, inquietantes campanhas de branqueamento da ditadura fascista, dos seus crimes e das suas políticas, tentativas de reabilitação dos seus responsáveis e mentores, a par do apagamento do significado e valores da luta antifascista e da memória daqueles que lutaram para que fosse livre o terreno que hoje pisamos.
A luta antifascista  mantém-se pois como necessidade actual.


Só uma grave ou leviana incompreensão da História pode levar à convicção de que a derrota do nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial pôs em definitivo o mundo ao abrigo de regimes autoritários ou ditatoriais que restabeleçam os métodos e  as políticas que o fascismo quis impor ao mundo na sua versão do  Século XX.
No mundo de hoje encontramos igualmente traços de crises sociais, políticas, económicas, ideológicas, que projectam inquietantes perspectivas para a humanidade.
A violência da exploração, a injustiça social, corroem a democracia, retira-lhe apoios sociais, porque a democracia política não é acompanhada por uma justiça social, dando-se prioridade à concentração de lucros e capitais, com as consequências sociais e medidas políticas a que isso conduz. Desacreditam-se instâncias políticas, conceitos ideológicos e valores sociais que estavam credibilizados com a vitória da democracia, deixando as pessoas numa massa mais maleável para a demagogia e a manipulação. À sombra do combate ao terrorismo e do medo à violência, que acompanha os factores de desagregação social, desrespeitam-se direitos humanos, liquidam-se liberdades.
É um terreno onde o fascismo, a sua ideologia, a sua prática de violência, o seu desprezo pelos direitos humanos e pela democracia têm condições para manipular ressentimentos e explorar rancores, revoltas e descontentamentos.
Não pode deixar de nos alertar a insidiosa campanha em curso de branqueamento das ditaduras fascistas e  falseamento da memória da luta antifascista, ao mesmo tempo que as forças de direita e extrema direita ganham terreno no espaço europeu.
Consideramos pois que a denúncia do fascismo e a luta antifascista se mantêm como necessidade actual das aspirações humana de paz e liberdade.

A nossa União de Resistentes Antifascistas Portugueses considera que nela não podem apenas estar empenhados os que viveram e conheceram a ditadura fascista. A participação das novas gerações é essencial. Nesse sentido, estamos  desenvolvendo  uma acção para a formação do que chamamos Núcleos de  Juventude Anti Fascista, integrados, a todos os níveis, nas estruturas da nossa União de Antifascistas.
Temos como preocupações principais o reforço da actividade da URAP, com a consolidação dos seus Núcleos e a sua  projecção na sociedade portuguesa, o alargamento às novas gerações, o desenvolvimento de iniciatiivas que reforcem os sentimentos antifascistas do povo português.

Assim desenvolvemos a luta para levar à prática a nossa palavra de ordem: FASCISMO NUNCA MAIS!



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URAP > Documentos 

A URAP não podia deixar de estar presente nas exéquias de JOAQUIM TEIXEIRA, combatente tarrafalista contra o fascismo.

Ao recordar Joaquim Teixeira, grande combatente pela Liberdade, Democracia e Socialismo, salientamos o seu empenhamento revolucionário, que dedicou o melhor da sua vida à luta contra o fascismo, a sua coragem ímpar, no enfrentar as prisões e as torturas a que foi submetido pelo hediondo regime fascista.

Afirmamos aqui, em sua memória, que não pouparemos esforços na denúncia do foi o horror do fascismo e na defesa da Liberdade alcançada com o 25 de Abril/74, a fim de que "FASCISMO NUNCA MAIS".

Pela Liberdade
Pela Democracia
Pelo 25 de Abril                          

O Conselho Directivo

 

«

À memória de Joaquim de Sousa Teixeira,
Marinheiro insubmisso da revolta de 1936

No cemitério do Alto de São João representações do PCP, da URAP e da Associação de Sargentos da Armada prestaram sábado passado uma última homenagem a Joaquim de Sousa Teixeira, que foi deportado para o Tarrafal na primeira leva de presos políticos para ali enviados.

Joaquim Teixeira era um jovem grumete da Armada quando participou na revolta de 1936 dos marinheiros dos navios Dão, Afonso de Albuquerque e Bartolomeu Dias contra a ditadura de Salazar. Julgado pelo iníquo Tribunal Militar Especial, foi condenado a 16 anos de prisão e fez parte daqueles que aí sofreram o período mais violento da repressão fascista, quando os trabalhos forçados, a má alimentação, a doença, ceifavam mais cruelmente vidas, justificando a designação do Tarrafal como «Campo da Morte Lenta».

Tendo adoecido gravemente, Joaquim Teixeira foi transferido sob prisão para o Hospital de S. José, onde lhe foi extraído um rim.

«Como todo o prisioneiro que se preza - dizia ele numa entrevista à Revista da Armada publicada após o 25 de Abril - não me saía da cabeça a ideia de me evadir». E assim fez, numa tarde de Agosto de 1948, tendo passado a viver de forma clandestina, com falsa identidade, para escapar à vigilância da PIDE.

Prestando homenagem à memória de Joaquim Teixeira, como se disse por ocasião do seu funeral, estamos também recordando aqueles que no Tarrafal e em todo o País, não se resignaram à ditadura fascista numa época em que Salazar afirmava: «o Século XX será fascista.» Não cruzaram os braços ante o que agora se designa como «os ventos da História».

Com a sua luta, semearam os cravos que floresceram no 25 de Abril. Para que Tarrafal - nunca mais! »

Aurélio Santos,

Jornal Avante, 9 de Abril de 2009

                                                              

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URAP > Documentos 

Aveiro, 20 de Março de 2009

Aos democratas e antifascistas
Aos Órgãos de Comunicação Social

Caros Amigos. Exmºs Senhores.

Vimos, desta forma dar nota pública da constituição do NÚCLEO de AVEIRO da URAP - União dos Resistentes Antifascistas Portugueses, que se constitui formalmente a fim de prosseguir na região as actividades consignadas nos seus Estatutos (Publicados no Diário da República nº 129 - 3ª série de 02.06.1976), particularmente a divulgação de ideais e património de intervenção antifascistas.

Esta iniciativa surge num momento em que se acumulam elementos de desvirtuamento e ataque aos ideais e direitos democráticos, conquistados em 25 de Abril, e em que assistimos atónitos a operações mediático-comerciais ou de organizações neo-fascistas, que promovem o branqueamento sistemático da ditadura fascista e colonialista, da desgraça que ela comportou para o nosso país e os povos das ex-colónias e dos seus principais responsáveis e torcionários.

O Núcleo de Aveiro da URAP, constituído pelos antifascistas que abaixo assinam esta nota, inicia imediatamente a sua actividade, promovendo a 27 de Março, na Biblioteca Municipal de Aveiro, uma homenagem pública a Mário Sacramento, na ocasião do quadragésimo aniversário da sua morte.

Nessa sessão usarão da palavra, entre outros: Aurélio Santos, Coordenador Nacional da URAP; Carlos Candal, advogado; Jorge Sarabando, publicista; Jorge Seabra, médico.

Em breve serão divulgados outros elementos de informação sobre esta iniciativa e sobre a actividade do Núcleo de Aveiro da URAP.

Atenciosamente, saudações democráticas.

(Américo Freitas)

(António J. Coelho Lemos)

(António Luis Almeida)

(António Regala)

(Carlos Jerónimo)

(José Amaro)

(Manuela Seabra)

(Manuel Reis)

(Rosa Gadanho)

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