URAP > Documentos

Nota de imprensa

Contra a instalação de "hotel de charme" no tribunal dos plenários fascistas

A URAP pede esclarecimentos ao governo        

Perante notícias publicadas na imprensa sobre projectos de venda do edifício da Boa Hora onde funcionou durante a ditadura fascista o Tribunal Plenário que julgava os presos políticos, a URAP enviou em 3 de Fevereiro cartas ao Primeiro-ministro e ao Ministro da Justiça requerendo um esclarecimento urgente por parte do governo sobre essa questão.

Sublinhando que «desde há cerca de século e meio o Tribunal da Boa Hora é monumento vivo do que foi parte essencial da história judicial portuguesa, com especial relevo para a actividade do Tribunal Plenário onde foram julgados e condenados muitos antifascistas cujo único crime foi o da luta pela liberdade e pela democracia».

Cartas idênticas foram enviadas ao Presidente da Assembleia da República e ao Presidente da Comissão de direitos, liberdades e garantias.

Assembleia Geral da URAP reclama transformação da Boa-Hora em Museu

Na Assembleia Geral da URAP de prestação de contas e eleição dos corpos sociais de 7 de Fevereiro foi aprovada uma Moção na qual se diz que considerando a relevância nacional do edifício da Boa Hora, nomeadamente por nele ter funcionado o Tribunal Plenário durante o regime fascista, «a sua alienação com destino anódino, significará subjectiva e objectivamente uma operação de branqueamento, ou mesmo de apagamento, de parte relevante da nossa recente história política».

Na Moção a URAP, reiterando o conteúdo dos requerimentos enviados pelo Conselho Directivo ao Primeiro-ministro e ao Ministro da Justiça, lembra solenemente ao Governo «a função primordial que lhe compete na salvaguarda do património nacional», recomenda a preservação do edifício da Boa-Hora e a sua transformação em Museu, «símbolo, como é seu direito, da memória e da história do Povo Português e contributo para o conhecimento de futuras gerações.».

URAP em sessão promovida pela Comissão de Juristas pela Cidadania

 Intervindo em nome da URAP na sessão promovida por essa Comissão dia 9 de Fevereiro na sala do Tribunal Plenário, Aurélio Santos, dando conhecimento da Moção aprovada na Assembleia Geral da URAP e afirmando o apoio ao abaixo assinado que essa Comissão está recolhendo contra a alienação do edifício, sublinhou: que «muitos de nós, membros da URAP, que lutámos para que fosse livre o terreno que hoje pisamos, passámos por aquela sala como réus, advogados e testemunhas nos julgamentos iníquos do fascismo, e seria para nós inaceitável que ela seja transformada em salão de «charme» para bailes de clientelas de luxo.

Print Friendly, PDF & Email

URAP > Documentos

Plano de actividades para 2009-2010
aprovado na Assembleia Geral de 7 de Fevereiro de 2009

A história recente comprova a importância da existência de uma organização como a URAP, que tem desempenhado um importante papel, lutando contra branqueamento do fascismo, valorizando a luta e intervenção antifascista, denunciando as atitudes e actos fascistas ou fascizantes e intervindo pela defesa das conquistas democráticas de Abril. Neste contexto, o reforço da nossa organização e da sua capacidade para desenvolver mais actividades deverão constituir uma preocupação constante.

Neste sentido o Conselho Directivo propõe um conjunto de objectivos para os próximos dois anos (2009-2010), com vista a dar continuidade ao trabalho desenvolvido.

Decidimos apresentar esse plano em cinco temáticas: organização, actividades, informação, museu da resistência em Peniche e relação com a Federação Internacional da Resistência (FIR) e outras organizações internacionais.

 

  • 1. Organização
  • Convocar dentro de um ano uma Assembleia-Geral da URAP para eleição de um Conselho Nacional, composto por personalidades com participação destacada na história da URAP e na luta antifascista.
  • Realizar uma Assembleia-Geral Extraordinária (início de 2010), para preparação de uma alteração dos estatutos vigentes, no sentido de dar dignidade estatutária ao Conselho Nacional, concretizando a resolução aprovada na Assembleia-Geral de 13 de Julho de 1985 (que já tinha decidido a criação de um Conselho Nacional). Por outro lado, a alteração aos estatutos vigentes também pretende assegurar condições mais eficazes às estruturas e meios de acção da URAP.
  • Criar uma Comissão Coordenadora dos Núcleos da URAP para estimular a coordenação e a troca de experiências entre os núcleos.
  • Apoiar os núcleos existentes e ajudar a criar outros.
  • Promover a actividade própria dos núcleos.
  • Continuar com os trabalhos de actualização do ficheiro.
  • Melhorar a situação financeira da URAP, melhorando a recolha e actualização da quotização, promovendo iniciativas, angariando donativos e fazendo parcerias com outras organizações e instituições.
  • Lançar uma Campanha de Fundos em tomo dos 35 anos da URAP (aquando da comemoração dos 34 anos da sua fundação).
  • Desenvolver esforços para que a URAP obtenha o estatuto de Organização de Utilidade Pública.

 

2. Actividades

  • Alargar a promoção pela URAP de iniciativas de carácter unitário que contribuam para o conhecimento e divulgação da luta contra a ditadura fascista e a valorização e defesa dos direitos e conquistas da democracia.
  • Assegurar a participação da URAP em iniciativas onde possa defender o carácter democrático e unitário da luta antifascista, tanto no plano histórico como na actualidade.
  • Realizar um Encontro de jovens antifascistas novos sócios URAP e continuar a promover a integração na URAP de jovens antifascistas.
  • Desenvolver actividades promovidas por jovens, que contribuam para desenvolver entre as gerações nascidas já depois do 25 de Abril o conhecimento do que foi a luta contra a ditadura fascista e o valor das conquistas democráticas.
  • Promover em Maio próximo uma visita guiada ao Campo de Concentração do Tarrafal, prestando homenagem aos antifascistas portugueses e aos patriotas africanos ali condenados pelo regime fascista e colonial português.
  • Continuar a promover anualmente no Alto de S. João a romagem ao Mausoléu dos antifascistas mortos no Tarrafal.
  • Procurar as condições para continuar a ter um espaço da URAP na Festa do Avante!
  • Promover excursões a localidades que se destacaram na resistência ao fascismo;
  • Continuar a integrar a Comissão Promotora das comemorações populares do 25 de Abril em Lisboa, procurando alargar essa participação a outros pontos do país.
  • Participar no desfile do l.º de Maio.
  • Promover ciclos de debates em escolas básicas, secundárias e de ensino superior em torno do 25 de Abril e da luta antifascista.
  • No âmbito das comemorações do 35º aniversário do 25 de Abril, editar um Jornal sobre a resistência antifascista dirigido aos jovens.
  • Lançar uma recolha de assinaturas, aquando da comemoração dos 35 anos do 25 de Abril, com vista a aprovar na Assembleia da República uma resolução que valorize a luta e a resistência contra o fascismo em Portugal durante o período entre 1928 e 1974.
  • Desenvolver esforços no sentido de recomendar veementemente ao Governo a preservação do edifício do Tribunal da Boa-Hora e da sua transformação em Museu - símbolo, como é seu direito, da memória e da história do Povo Português e contributo para o conhecimento de futuras gerações.
  • Continuar a dinamizar a luta contra a criação do "museu Salazar" em Santa Comba Dão (Luta que conta com o papel destacado do núcleo da URAP em Santa Comba Dão).
  • Participar com outras organizações na promoção de jornadas em defesa da paz, contra a guerra e pela soberania dos povos.
  • Participar nas comemorações do Centenário da Proclamação da República.
  • Dinamizar e participar em iniciativas que assinalem os 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial (no ano de 2009) e os 65 anos do final da Segunda Guerra Mundial (2010).

 

 

3.Informação

  • Continuar a publicar trimestralmente o Boletim da URAP.
  • Melhorar e manter actualizado o sítio da URAP na Internet (www.urap.pt).
  • Editar documentos sobre a situação política nacional e sobre problemas específicos.
  • Tomar posição regularmente, fazendo chegar as notas de imprensa da URAP aos órgãos de Comunicação Social (local e nacional).
  • Tomar posição pública sobre acontecimentos que ponham em causa os direitos e as conquistas de Abril.
  • Procurar assegurar à URAP o direito a Tempo de Antena.

 

4. Museu da Resistência em Peniche

  • Aprofundar a concretização do protocolo assinado entre a URAP e a Câmara Municipal de Peniche.
  • Promover visitas de núcleos da URAP a Peniche, divulgando a exposição que está actualmente patente (75 anos da abertura da Fortaleza de Peniche como prisão política).
  • Continuar a recolher materiais e documentação acerca dos presos de Peniche, sobre a repressão fascista em geral e sobre a luta antifascista, para criação de um Centro de Documentação da Luta Antifascista.
  • Desenvolver esforços que possibilitem a revalorização e requalificação da Fortaleza de Peniche e do museu da resistência.

 

 

5. Relação com FIR e outras organizações internacionais

  • Reforçar as relações e os laços de solidariedade com a FIR (Federação Internacional da Resistência).
  • Participar, mediante as condições financeiras a URAP, em iniciativas internacionais promovidas pela FIR ou outras organizações internacionais de carácter antifascista.
  • Participar no Simpósio internacional sobre o Tarrafal organizado em Abril próximo pela Fundação Amílcar Cabral.
  • Promover a difusão dos temas tratados no Encontro Internacional organizado em 2008 pela URAP e pelo Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Nórdica Verde.
  • Promover debates acerca do Campo de Concentração do Tarrafal, tendo em conta as informações a recolher aquando da excursão que se realizará em Maio ao Tarrafal e com a participação no Simpósio Internacional sobre o Tarrafal promovido pela Fundação Amílcar Cabral (também no mês de Maio).
  • Apoiar iniciativas que no plano internacional denunciem o fascismo, o racismo e a opressão e defendam a paz, a democracia, a independência nacional e os direitos humanos.

 

Lisboa, 7 de Fevereiro de 2009

Print Friendly, PDF & Email

URAP > Documentos 

Intervenção de Aurélio Santos, coordenador da URAP,
na Assembleia Geral de 7 de Fevereiro de 2009

No decurso da nossa Assembleia apreciamos muitos aspectos da actividade que a URAP tem vindo a realizar, bem como alguns projectos de actividade para os próximos dois anos.

Muitas foram as questões discutidas e as conclusões a que chegámos. Gostaria de frisar algumas a meu ver também importantes.

 

Estamos atravessando uma época na qual se assiste à aplicação, por regimes democráticos, de políticas idênticas às que levaram à implantação de regimes fascistas.

O que temos pela frente agora é que tais políticas se apresentam e aplicam reivindicando um estatuto democrático.

À diferença da demagogia e manipulação fascistas, impostas por um eficaz e omnipresente aparelho de propaganda que encontrava, nas suas falhas ou deslizes, ajuda de um ainda mais eficaz e omnipresente aparelho de repressão, as medidas actuais apresentam-se como inseridas num normal funcionamento das instituições democráticas. E a procura da cobertura e aparência democráticas tem a acompanhá-la uma prática sistematicamente antidemocrática de abafar a voz, ridicularizar ou mesmo caluniadas críticas que naturalmente são levadas a cabo, quando não conseguem, pela sua dimensão e visibilidade, tudo fazem para as silenciar.

O facto é que as políticas a que se convencionou chamar neoliberais, os processos e métodos para as pôr em prática, com os seus efeitos devastadores sobre a sociedade, criaram factores de perigosidade impossíveis de ignorar e que põem em risco a própria democracia.

Que a história não se repete, sabemos nós. Mas as experiências da história não podem ignorar-se, sob pena de condução obrigatória a graves erros de análise acerca do tempo presente ou de impotência para a construção de um futuro de progresso e de paz da humanidade.

Temos e devemos ter em conta a experiência dos anos 20-30 do século passado, com implantação de regimes fascistas em vários países e das suas ameaças e planos para impor o seu domínio ao mundo.

Era o tempo em que Salazar proclamava: o século XX será fascista, e se fazia fotografar com o retrato de Mussolini sobre a secretária...

Sabemos, até por nossa experiência, que uma conflitualidade social complexa, extremada por uma situação económica sem saída aparente é facilitante de uma aspiração de ordem e disciplina sociais cuja saída urgente, errónea pode ser demagogicamente aproveitável pelas camadas mais reaccionárias da sociedade, que se afadigam para apresentar o «salvador da pátria». E ele aparece, glorificado como poder benfeitor, com o nome de Hitler ou Mussolini, Franco ou Salazar, mas sempre personificando uma ditadura disposta a manter-se com processos terroristas.

Foi esse o desembocar histórico do fascismo.

Podemos ter dificuldade em compreender como é que povos que têm, na sua memória colectiva, a experiência historicamente recente de tais regimes, aparecem entidades que, dizendo-se democráticas, insistem numa prática política cujo desenvolvimento corre o risco de fazer perigar a própria democracia.

Os raciocínios dispendidos e as análises sobre tal situação são muitos e variados.

O elenco é longo, mas todas estas argumentações têm a atravessá-las uma globalização selvagem, isto é, a selvajaria da economia dita neo-liberal.

Aceitando-a ou opondo-se a ela pela luta, o certo é que já bateu à porta de todos os habitantes do planeta: uns porque dela tiram parte choruda da riqueza fabulosa que o homem é hoje capaz de produzir; outros porque são suas vítimas directas; e outros ainda porque não aceitam ou não compreendem que estão simplesmente em lista de espera para se juntarem, forçosa e forçadamente, ao exército dos já sacrificados.

Estamos hoje num mundo adverso, às vezes sormamente, à liberdade, ao progresso, ao bem-estar. As esperanças de futuro andam minadas pelas ameaças super-potentes de uma globalização condicionadora, que agrava à escala planetária factores de crise económica e social.

A violência da exploração, da injustiça social, corrói a democracia, retira-lhe o apego das pessoas, porque a democracia não é acompanhada por uma democracia social e económica, dando-se prioridade à concentração do luc, consequências e medidas a que isso obriga.

A instabilidade e o medo à instabilidade, a insegurança laboral, a polarização da pobreza e da riqueza, a planetária na distribuição dos recursos e rendimentos, a deslocação de milhões de pessoas a quem são negadas condições de sobrevivência, uma política de guerras e de dominação, criam angustiantes factores de destabilização. À sombra do combate ao terrorismo e do medo à violência que acompanha os factores de desagregação social, desrespeitam-se e liquidam-se liberdades.

Neste quadro agravam-se as incidências sociais duma política económica que mantém e retoma conceitos ideológicos e valores políticos que o fascismo lançou, enquanto se apagam valores e instituições que estavam credibilizados com a vitória da democracia.

Não será com aprofundados estudos e relatórios sobre a vertente de intenções psicológicas do poder que se encontrarão explicações objectivas dos factos que actualmente são causa das nossas fundadas preocupações. Nem se trata aqui de qualquer «processo de intenções».

A pergunta sobre a memória colectiva tem respostas de aparência simples, com justificações que quotidianamente nos bombardeiam para alicerçar teses tão complicadas quanto fúteis e que se resumem a um ponto final, repetido vezes sem conta: tudo vai bem e o que se diz é inventado pelos profissionais da inveja, impulsionados pelos conhecidos oráculos da catástrofe... O que não é fácil desmontar, dado que tais argumentações se apresentam como puras conclusões lógicas, irrefutáveis.

Assim pretendem, por manipulação política do presente, falsear a incómoda memória colectiva, procurando criar um afastamento sociológico do passado, tentando apagá-la, ou distorcê-la, ou invocando-a como impossibilidade histórica e passadista.

Este recurso à demagogia manipuladora tem ao seu dispor, nos nossos dias, como nunca antes, os mais sofisticados e apurados meios de convencimento, para impõe a ideia de que existe uma intocável normalidade democrática e de que a política aplicada é um facto, exigindo apenas, como garantia indispensável para se manter, a boa vontade da compreensão e do apoio populares.

Protelando ou recusando mudanças necessárias, senão inadiáveis, a actuação do Estado vai adelgaçando a silhueta da democracia, reduzindo-a a um esqueleto jurídico-político desacompanhado do complemento social democraticamente imprescindível e no qual a participação dos cidadãos é requisitada periodicamente para uma votação sem riscos, isto é, sem a ameaça de exigências populares e a garantia da continuidade do poder. Este resultado que tenta evidenciar-se com a expressão "eleições livres e democráticas", ignora ou refuta que os democraticamente eleitos são representantes de partidos que se revezam alternadamente no poder, partidos aos quais, os detentores do poder real, o poder económico, exige como garantia incondicional o seguimento de uma prática governativa, também ela alternada conforme souberem, mas que não atinja o essencial dos grandes interesses económicos constituídos.

Estabelecido este estado de coisas a nível de uma posse governativa sob fiança, poderia parecer que (embora com inegável monotonia) ele seria o mais sólido garante de uma profunda aspiração dos povos: a estabilidade democrática. Há quem o defenda, mas com exibição de um defeituoso calcanhar de Aquiles: para que se verifique a existência de uma estabilidade democrática é essencial uma base social de apoio à democracia.

A democracia é uma criação política das pessoas e para as pessoas, isto é, exige na sua defesa e manutenção a participação livre e efectiva dos cidadãos. Sem que tal se verifique não se poderá afirmar que um regime é estável. Mas a democracia moderna, cuja construção se deve a séculos de elaboração dos povos na defesa de aspirações possíveis, justas, já realizadas e historicamente legitimadas, corre o risco de auto-negação se da sua vivência e destino afasta a realização activamente participada de tais aspirações.

Limitando-se docilmente a reduzir os direitos políticos a uma votação pendular, sem garantia do exercício de direitos sociais, defronta outro perigo inevitável: o do seu próprio descrédito.

A grande exigência do tempo presente é a luta pela democracia. É necessário reabilitá-la, assegurar-lhe o crédito das populações, associar o exercício dos direitos políticos ao prosseguimento e garantia dos direitos sociais.

O esvaziamento da democracia, a substituição da garantia dos direitos sociais, nacionais, culturais, por ideias, projectos e soluções demagógicas que se sucedem impunemente, a manipulação cada vez mais afrontosa da opinião pública, a arrogância face a opiniões dissonantes, a desculpabilidade perante a má gestão de recursos públicos, a protecção jurídica e política dos grandes interesses em detrimento das aspirações de vastas camadas populares, fazem com que este poder apareça com indisfarçável despudor como mandatário de outro mais poderoso, afinal aquele perante o qual verdadeiramente responde um poder político sem base social de apoio, muito previsivelmente sob a forma do o chamado «poder forte». Não é certamente por acaso que os revivalismos que se registam com uma frequência inquietante coincidem com o regresso à cena política de estruturas e grupos sociais e económicas que no salazarismo encontraram o instrumento para impôr impiedosamente os seus interesses e o seu domínio, mantido de forma ditatorial, pois que de outra forma o povo português não o suportaria.

 

A desilusão de aspirações frustradas, o desalento perante as dificuldades de intervenção em defesa de interesses legítimos, o desânimo subsequente à não verificação de mudança pelo exercício do direito residual de voto, podem levar a uma combatividade acrescida de defesa de direitos alienados em boa-fé eleitoral. Mas, dependendo das circunstâncias de momento e do grau de consciência social, podem também levar a uma indiferença alheada e conformada que tende a confundir todas as propostas quando nenhuma delas tem resultados reais. Ou ainda conduzir camadas socialmente mais isoladas ao recurso a formas de solução desesperadas, quando inseridas em situação de satisfação premente de necessidades.

Em Portugal, as tentativas de branqueamento do fascismo ombreiam com as da sua reabilitação.

Em teses com cambiantes variáveis, há quem defenda, simplificando a questão, que o regime fascista não existiu. Outros põem em dúvida o grau ditatorial do regime de Salazar e Caetano. Outros ainda como única contribuição para a compreensão da história atribuem a responsabilidade de todos os males portugueses à revolução de Abril, por incrível que pareça, Algumas destas teses são hoje, embora com disfarces dúbios, aproveitadas pelo poder constituído na sua argumentação.

 

Fascismo, nunca mais?

Não podemos entender isso como garantia de que «o fascismo não voltará».

Não voltará certamente nas formas que as assumiu nos anos 20/30 do século passado. A sociedade não é a mesma, as estruturas são diferentes.

Mas o fascismo não é um fenómeno histórico de uma determinada conjuntura.

Tem caracter universal, com raízes sociais e económicas que aparecem como resposta desesperada numa uma economia em queda, de uma classe que pretende impor pela força a manutenção do seu domínio e dos seus interesses.

Da experiência histórica que o fascismo nos deixou há um aspecto que não devemos esquecer: os crimes do fascismo não se deveram apenas à crueldade dos que os praticaram. Foram parte integrante de uma politica que só pelo terror podia ser imposta. Reduzir o fascismo, como alguns pretendem, apenas à visão odiosa dos crimes que cometeu, em Portugal e no mundo, é apagar outro aspecto odioso do fascismo, o da política que aplicou, de miséria, injustiça, obscurantismo, escravização e guerra.

É neste quadro que dizemos, convictamente, que o antifascismo se mantém como exigência actual.

Mais ainda porque há hoje em Portugal uma nova geração que não conheceu felizmente o peso da repressão política, das prisões e torturas, da censura, da miséria, da emigração massiva e das guerras impostas pelo fascismo. Não viveu, felizmente, a abominação das concepções da ideologia fascista ma sua versão salazarista que a ditadura quis impôr ao nosso povo, matraqueando-a nas escolas e martelando-a na comunicação social amordaçada.

Não podemos deixar que o apagamento do que foi a ditadura, e a reabilitação dos seus responsáveis e da sua política, ao ressurgimento de ideologias fascistas e de práticas políticas nelas inspiradas, em contraponto com a desvalorização e degradação da democracia.

Por tudo isto uma organização como a URAP tem o direito e o dever de manter uma presença activa e reconhecida na sociedade portuguesa.

 

Quanto a algumas das questões aqui apresentadas sobre as actividades da URAP:

Creio que é justo destacar, em primeiro lugar, o esforço de todos os membros dos organismos sociais para a continuação e o reforço da actividade da URAP.

Sem esse esforço, realizado na base de uma grande solidariedade e de uma intensa cooperação, não poderíamos ter o quadro de actividades aqui apresentado.

Uma referência especial é devida aos nossos companheiros que deixam agora de participar nos corpos sociais: a Maria Luísa Tito de Morais, presidente desta Assembleia-Geral, o Álvaro Dias, a Maria das Dores Cabrita, a Maria Artur Botequilha.

Também eles foram parte da presença activa da URAP e da sua prestigiada imagem na sociedade portuguesa. Mais do que eventuais dificuldades suas para manter o grau de contribuição que a nossa actividade exige, a sua saída deve-se à necessidade de manter e desenvolver essa actividade integrando nos organismos sociais da URAP jovens antifascistas.

A URAP não é apenas uma organização der sobreviventes que lutaram conta a ditadura fascista. Há lugar nela, também, para jovens que, como nós, querem militar activamente pelos objectivos que constituem a razão de ser da URAP. Creio que esse é o caso do David Pereira e da Maria Pêgo, que, tal como a Ana Pato, o Paulo Marques e a Susana Luís fazem parte duma geração que nasceu já depois do 25 de Abril. A eles associamos também o Levi Baptista, número 3 entre os sócios da URAP, que mantém a juventude com que deu valiosa contribuição para a defesa dos presos políticos levados a Tribunal e para a legalização da URAP após o 25 de Abril.

Uma das nossas preocupações principais tem sido integrar na luta contra o fascismo novas gerações. Daí a criação de uma nova área da nossa intervenção: os Núcleos de Juventude Anti Fascista. É uma das áreas de trabalho em que teremos de nos empenhar mais activamente.

Simultaneamente a URAP tem de encontrar formas de valorizar o seu grande património histórico daqueles que corajosa e empenhadamente participaram na luta contra a ditadura fascista.

É nesse sentido que pensámos retomar uma resolução da Assembleia-Geral da URAP de 1885, para criação de um Conselho Nacional, com a devida dignidade estatutária, não só de com antigos dirigentes da URAP como de outros cidadãos com reconhecida participação na luta contra o fascismo e pela democracia.

O plano de actividades que aqui apresentámos não pode ser levado à prática somente pelos elementos dos corpos sociais que elegemos.

O apoio dos nossos associados é indispensável. E, numa organização descentralizada como a URAP, isso só é possível com a iniciativa e actividade dos nossos Núcleos. Para estimular essa actividade propomo-nos criar uma Comissão Coordenadora, em moldes a estudar pelos novos órgãos dirigentes.

 

Companheiros e amigos,

 

Não é fácil assumir responsabilidades na URAP no quadro que actualmente se apresenta de insidiosas campanhas de desvalorização da democracia e apagamento do que foi a luta antifascista. 

À sobra da proclamação da crise agravam-se as legislações laborais e liquidam-se direitos sociais, num grave retrocesso da própria concepção de democracia e de carácter intimidatório e repressivo contra organizações democráticas.

Creio poder afirmar, interpretando todos os outros membros dos corpos sociais eleitos, que daremos todo o nosso esforço para assegurar o desempenho das funções para que fomos eleitos.

A nossa intervenção não se limitará à denúncia das falsificações da história e à defesa dos valores e realizações da democracia, para cada povo e para todo o mundo.

De acordo com a tradição e as raízes históricas da URAP é também nosso promover, participar e contribuir, activa e audaciosamente, para dar expressão às aspirações de todos os que, por formas e motivações diferentes, se identifiquem com os valores do antifascismo e da democracia.

Para que seja real o lema que proclamamos na nossa palavra de ordem:

 

Fascismo nunca mais!

 

7 de Fevereiro de 2009

Aurélio Santos

Print Friendly, PDF & Email

URAP > Documentos 

(apresentado na Assembleia Geral de 7 de Fevereiro de 2009)

Tendo em conta que a 05 de Abril/2008, realizámos a Assembleia-Geral Ordinária onde foram apresentadas e aprovadas as contas, e as acções desenvolvidas no ano de 2007, conforme estabelece o Regulamento dos Estatutos da URAP, passamos agora a apresentar as acções desenvolvidas em 2008 de acordo com o plano de acção aprovado para o biénio 2007/2008.

ANIVERSÁRIO DA URAP

A URAP foi legalizada a 30 de Abril/76, reunindo nas suas fileiras um largo núcleo de antifascistas, que durante a ditadura criaram a COMISSÃO DE SOCORRO AOS PRESOS POLÍTICOS, organização que com grande coragem, afrontava o governo fascista, prestando apoio material e jurídico aos presos políticos e às suas famílias. Assim no 32º aniversário da sua fundação, a URAP, promoveu em Lisboa, um almoço comemorativo, com a presença de antigos dirigentes e com a participação de muitos sócios. Foi um encontro solidário e que pensamos continuar a ser promovido.


BALANÇO DE SÓCIOS

Dá-se conhecimento que no final de 2008, encontravam-se inscritos 1.513 sócios, (tendo 12 mudado de residência e ainda não conseguido saber a nova morada).

No ano 2008 inscreveram-se 123 novos sócios, mitos dos quais com menos de 30 anos..


BALANÇO DO BOLETIM

Quanto à forma de contacto escrito com os associados através do nosso Boletim, também informamos que no 4º trimestre de 2008, foram enviados 1.510 boletins, sendo 1.421 para os sócios e 89 para entidades nacionais e estrangeira.

Com algumas dificuldades tem se conseguido manter a publicação trimestral do Boletim, com 12 páginas, abrange uma pluralidade de temáticas, passando por uma breve análise do estado actual da democracia A colaboração dos sócios tem sido muito exígua, por isso não contamos com artigos de opinião e de análise política sócio/económica que gostaríamos. As notícias inserem-se mais sobre a nossa actividade. Foram desenvolvidas várias acções no sentido de serem obtidas algumas ajudas financeiras que servissem de suporte aos custos da impressão e endereçamento do boletim. A situação económica do Boletim está a ser resolvida dentro do condicionalismo inconstante nacional.


BALANÇO DO PORTAL NA REDE INFORMÁTICA

Desde Abril/2007 tem a URAP a sua página na Internet. Aí pode-se encontrar notícias sobre os princípios e a actividade da organização, documentos históricos, artigos sobre a actualidade política e social do País e do mundo e ainda uma componente cultural, com poesia e literatura de resistência. Necessita a URAP de mais artigos e mais histórias acontecidas durante o fascismo e até no momento presente, que relatem os atropelos às liberdades e ao direito ao Trabalho, à Saúde, à Justiça e à Educação.


COMEMORAÇÕES DO 25 DE ABRIL

A URAP tem tido como preocupação principal a sua participação muito activa na defesa do 25 de Abril e da Democracia.

A URAP, por fazer parte da Comissão Promotora das Comemorações do 25 de Abril, participou nas reuniões preparatórias para o evento, com membros das outras organizações e tomou parte activa nas decisões tomadas.

No desfile do 25 de Abril, na Avenida da Liberdade em Lisboa, a URAP esteve condignamente representada, pela sua Direcção, que desfilou com panos próprios e alusivos ao acontecimento, acompanhada de elevada presença de sócios, pertencentes aos vários núcleos da área metropolitana de Lisboa.

Neste percurso foram vendidos postais e marcadores, para angariação de fundos e que tiveram vasta aceitaçã.

De acordo com os seus princípios programáticos, a URAP desenvolveu também este ano, contactos com várias instituições, como sejam: autarquias, associações, escolas e conselhos directivos, para que fossem concretizadas largas dezenas de sessões de esclarecimento ou aulas vivas sobre o 25 de Abril, com a participação de professores, ex capitães de Abril, ex-presos políticos; resistentes e lutadores antifascistas. As sessões foram efectuadas em escolas básicas, secundárias e até em estabelecimentos de ensino superior, sempre com o apoio das autarquias e dos conselhos directivos das respectivas escolas, nomeadamente na cidade de Lisboa, no Externato N.ª Sr.ª da Penha de França, para o 7º - 8º e 9º ano, foi efectuada uma sessão evocativa com a exposição « 25 de Abril -- Um cravo vivo de sonho»; na freguesia de Stª Iria da Azóia, no concelho de Loures e nos concelhos da margem sul, com particular destaque para o concelho de Almada, que promoveu bastantes sessões nas escolas básicas e secundárias das várias freguesias do concelho; no concelho do Seixal, o Núcleo da URAP participou numa entrevista na Rádio Baía sobre o "passado e o presente" "Da ditadura fascista até ao dia 25 de Abril. Dia da liberdade". Elementos da URAP deram entrevistas aos jornais existentes no concelho sobre o regime ditatorial de Salazar e Caetano. Na Escola Secundária José Afonso, elementos da URAP e um capitão de Abril, participaram num colóquio sobre a Revolução de Abril, o mesmo foi organizado por alunas desta escola, assim como uma exposição sobre a política de Salazar e Caetano. Na Escola Secundária Alfredo dos Reis Silveira, promovido pelo Departamento de Ciências Humanas daquela escola e no âmbito da Semana Viver Abril, no dia 21 foi realizado um colóquio subordinado ao tema "Falando de Abril - Para que a memória se não apague". Durante o encontro, foi feita leitura dramatizada de textos seleccionados pelo actor Fernando Rebelo. Além do autor participaram os professores Joaquim Letria e Alexandre Castanheira, membro da URAP e o professor responsável pelo projecto, Carlos Abrunhosa. Associaram-se a este evento a vereadora do Pelouro da Educação e a Presidente da junta de Freguesia de Arrentela.

Na Escola Básica do Bairro Novo na Freguesia do Seixal, por iniciativa da Junta de Freguesia, com a colaboração de elementos da URAP, falaram sobre o 25 de Abril.

Na freguesia da Amora, numa iniciativa conjunta da Junta de Freguesia e da URAP, com o apoio dos professores, realizaram-se "conversas sobre o 25 de Abril" em 15 escolas do Ensino Básico.

Também pelas comemorações do 25 de Abril, o núcleo da URAP no Seixal promoveu romagens aos cemitérios da Aldeia de Paio Pires, Amora, Arrentela e Seixal, em homenagem aos antifascistas falecidos.

No concelho do Barreiro algumas acções foram efectuadas e no concelho de Setúbal, as acções foram idênticas. Estas acções movimentaram para além dos professores, mais de 1500 alunos e familiares. È necessário relembrar todos os dias, aos que viveram no tempo anterior ao 25 de Abril, e lembrar todos os dias aos que, felizmente para eles, não os viveram, que o fascismo existiu realmente em Portugal. E é tanto mais importante e necessário, quanto, como sabemos, está hoje em curso uma intensa ofensiva visando o branqueamento do fascismo.

A URAP tem procurado sensibilizar as novas gerações no apreço à Liberdade, conquistada com o 25 de Abril, pois temos obrigação de deixar nas mãos das nossas crianças esse Tesouro, para que elas o possam usar da melhor maneira.

No Plenário Comemorativo dos Reformados, realizado a 22 de Abril, na Casa Sindical do Porto, sob o patrocínio da União dos Sindicatos do Porto/CGTP Intersindical Nacional, o Núcleo da URAP no Porto, participou no Programa de Abril, sob o tema "ABRIL/Liberdade - Vencer o Medo" com a intervenção de Maria José Ribeiro, entre outras organizações.

Foi enviada à URAP para conhecimento, cópia da saudação ao 25 de Abril, aprovada na Assembleia de Freguesia de Odivelas, em 28/04/2008;


COMEMORAÇÃO DO 1º DE MAIO/08

A URAP também participou no desfile do 1º de Maio, com um grande pano alusivo e deu orientações a todos os seus sócios e à sua organização para participarem em cada localidade, na FESTA E LUTA DOS TRABALHADORES.

Também no Porto, o Núcleo local participou no Comício e Manifestação promovido pela União de Sindicatos do Porto


CAMPANHA DE FUNDOS

Uma campanha de fundos foi aprovada na última reunião de Direcção de 2007, tendo como objectivo alcançar 5.000 euros entre Janeiro e 30 de Abril/2008, data do aniversário da legalização da associação. A meta não foi atingida, porque apenas foi conseguida a quantia de 2.500 euros. As razões do insucesso são várias, mas não podemos esquecer as grandes dificuldades económicas que toda a população portuguesa passou neste último ano e também porque as organizações locais não se empenharam com afinco


INICIATIVAS DECONFRATERNIZAÇÃO

Realizou-se no dia 21 de Dezembro, um almoço de confraternização dos sócios da URAP do concelho do Seixal, que contou com a presença de 152 pessoas, entre sócios e amigos, residentes nas freguesias da Amora, Arrentela, Pinhal de Frades, Torre da Marinha, Corroios, Fernão Ferro, Paio Pires e Seixal. Os dirigentes do Núcleo da URAP no Concelho do Seixal - Augusto Perdigão e Lucinda, agradeceram a presença de todos assim como o apoio que lhes tem sido prestado pela Câmara Municipal e por todas as Juntas de Freguesia do Concelho, nas suas acções e iniciativas. Alguns sócios e amigos usaram da palavra, opinando sobre o trabalho desenvolvido, outros declamando os seus trabalhos poéticos, outros poetas repentistas dizendo o que lhes ia na alma, outros lendo as suas reflexões sobre a situação política actual e 2 sócios pai e filho interpretaram canções de Natal em trompete. Por fim usou da palavra um membro da direcção nacional da URAP.


HOMENAGEM AOS TARRAFALISTAS

Nas acções desenvolvidas, destacamos que no seguimento de anos anteriores os eventos relacionados com os Tarrafalistas, e à acção de divulgação das suas heróicas posições tomadas em vida, a URAP a 09 de Fevereiro/08 promoveu-lhes mais uma homenagem no Cemitério do Alto de S. João em Lisboa, com representação dos Núcleos de Almada, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal e com a presença de centenas de participantes.

Também em 14 de Outubro/08, no Clube Estefânia, inaugurou-se a exposição alusiva ao Campo de Concentração do Tarrafal, com o tema "TARRAFAL: CAMPO DA MORTE LENTA", que esteve patente até ao dia 17, por forma a que os visitantes pudessem conhecer melhor a terrível prisão política que o regime fascista do Estado Novo construiu. O Campo foi criado em 1936 e durante o seu funcionamento perderam a vida 32 antifascistas portugueses. Nesse evento foi formalmente anunciada a Visita Guiada a Cabo Verde, com data programada de 30 de Abril a 06 de Maio/09, coincidente com o Simpósio Internacional a realizar por ocasião do 35º aniversário de encerramento do Campo de Concentração, sob o alto patrocínio do Presidente da República de Cabo Verde e da Fundação Amílcar Cabral.


OUTRAS HOMENAGENS

  • A URAP participou na homenagem prestada pelo PCP pelo aniversário de nascimento do grande resistente e lutador antifascista Francisco Miguel.

  • A 19 de Março, a URAP enviou uma saudação ao PCP da Marinha Grande, quando da sessão evocativa do centenário do nascimento do heróico resistente JOSÉ GREGÓRIO.

  • O Núcleo da Guarda participou na Homenagem ao resistente antifascista ADALBERTO VIDEIRA, na Guarda.

  • Também a Direcção da URAP, esteve presente a 08 de Novembro, na Homenagem prestada pela Câmara Municipal de Coimbra a ALBERTO VILAÇA, no âmbito do I Encontro Nacional da Toponímia, tendo sido descerrada uma lápide, evocativa do seu perfil, no prédio onde residiu. O homenageado foi preso 6 vezes e passado 4,5 anos na prisão. Integrou as Comissões Centrais do MUD Juvenil e do MND e a Comissão Nacional do III Congresso de Oposição Democrática. Foi membro do PCP desde jovem até à sua morte.

  •  

ENCONTRO INTERNACIONAL

Em 21 de Junho/08, a URAP promoveu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, o Encontro Internacional subordinado ao tema «A DEMOCRACIA FACE AO BRANQUEAMENTO E REABILITAÇÃO DO FASCISMO».

Este encontro surge numa altura em que por toda a Europa o fascismo e os fascistas procuram ganhar terreno à Democracia.

Aurélio Santos, Coordenador Nacional da URAP, destacou na sua intervenção que ".. É bom não esquecer que o ascenso do fascismo na Europa, após a Primeira Guerra Mundial, se fez no quadro das grandes crises sociais e políticas. No mundo de hoje encontramos traços igualmente inquietantes.... " A organização da iniciativa resultou de uma parceria entre o Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica e a URAP. O encontro contou com a participação de deputados no Parlamento Europeu, pelo PCP - Ilda Figueiredo e Pedro Guerreiro, do Partido dos Comunistas Italianos - Marco Rizzo; do Partido Comunista Grego - Konstantino Koudras; do Presidente da Federação Internacional de Resistentes - Michel Vanderborgt, da Bélgica, do vereador - Eduardo; da Presidente da Câmara Municipal de Setúbal - Mª das Dores Meira e da Presidente da Assembleia Municipal de Setúbal - Odete Santos. Estiveram presentes núcleos da URAP nos concelhos de Setúbal, Seixal, Almada, Barreiro, Porto, Amadora, Moita e Lisboa. O Núcleo de Stª Iria participou com 3 membros da sua direcção.

Na sessão pública realizada à noite, participaram largas dezenas de convidados, sendo a sessão encerrada pelo Coordenador da URAP - Aurélio Santos. No dia seguinte, os deputados europeus e os convidados estrangeiros presentes no encontro Internacional, realizaram uma visita ao Forte de Peniche, onde puderam conhecer o Museu da Resistência, tomando contacto com a prisão política que durante décadas (1934/1974) cerceou a liberdade a milhares de resistentes antifascistas e lutadores pela liberdade. No museu foram recebidos pelo Vice-Presidente da Câmara de Peniche - Jorge Amador, que acumula a função de Vereador da Cultura.


ENCONTRO DE NÚCLEOS NO DISTRITO DE SETÚBAL

A 20 de Setembro, realizou-se em Sines, no Salão da Música " O ENCONTRO DE NÚCLEOS DA URAP DO DISTRITO DE SETÚBAL", promovido pela Direcção da URAP, pela Delegação de Setúbal e pelo Núcleo de Sines. O Encontro debateu «O papel da URAP na defesa da Paz e da Democracia». O evento contou com o apoio da Câmara Municipal de Sines. Estiveram representados os Núcleos de Almada; Moita; Montijo; Palmela, Grândola; Seixal; Barreiro; Setúbal; Sines e Montemor-o-Novo. Os participantes trocaram experiências e opiniões, unidos pelo objectivo de reforçar e levar mais longe as posições e a actividade da organização. No ponto II da ordem de trabalhos, cujo espaço aberto à poesia popular, versava o tema"A Paz e a Democracia Conquistam-se e Defendem-se", tiveram intervenção vários partipantes.


EVOCAÇÃO DAS ELEIÇÕES DE 1958

A URAP promoveu nas instalações da Biblioteca Museu República e Resistência uma Exposição documentaal e tres debates assinalando o 50º aniversário da campanha de Humberto Delgado e Arlindo Vicente para a Presidência da República. Na sessão de 11 de Julho, moderada pelo membro do Conselho Directivo Feliciano David, intervieram

Na sessão de 16 de Julho, orientada por João Corregedor da Fonseca, do Conselho Directivo, intervieram José Casanova e João Honrado, de Beja.. Na sessão de 18 de Julho estiveram na mesa Paulo Marques do Conselho Directivo da URAP, Maria José Ribeiro, do Porto, Fernando Miguel Bernardes, de Coimbra e Salomão Figueiredo.

Também na Cova da Piedade o núcleo da URAP organizou uma sessão evocativa da campanha eleitoral da Oposição democrática em de 1958 e da adesão que teve naquela localidade.


CONTACTOS INTERNACIONAIS:

Em Abril/08 uma delegação da URAP composta por 3 jovens. Ana Pato (do Conselho Directivo), David Pereira e Elsa Ludmila, juntaram-se aos mais de 1.000 jovens de 20 países que participaram no «ENCONTRO INTERNACIONAL DE JOVENS DA EUROPA», realizado no recinto onde esteve instalado o Campo de Concentração de Buchenwald, na Alemanha. Um jovem representante de cada país, leu um excerto do "Juramento de Buchenwald": «FASCISMO NUNCA MAIS. GUERRA NUMCA MAIS» «O EXTERMÍNIO DO NAZISMO E SUAS RAÍZES È O NOSSO LEMA E A CONSTRUÇÃODE UM MUNDO NOVO DE PAZ E DE LIBERDADE É O NOSSO OBJECTIVO»


ENCONTROS COM OUTRAS ORGANIZAÇÕES

A URAP recebeu na sua sede, dirigentes da Associação Fronteiras, para troca de informações, sobre os objectivos a que as duas organizações se propõem

A URAP recebeu na sua sede o Chefe da Casa Civil do Presidente da República de Cabo Verde e membro da Comissão Organizadora do Simpósio Internacional sobre o Campo de Concentração do Tarrafal.


REPRESENTAÇÕES

  • A 18 de Fevereiro a URAP participou na Marcha Liberdade e Democracia, organizada pelo PCP e que teve a participação de muitos cidadãos na cidade de Lisboa

  • A 21 de Fevereiro, a URAP este presente no Congresso da CGTP-IN;

  • A 11 de Março a URAP, fez-se representar no velório no Palácio Galveias e no Funeral do destacado professor e artista plástico antifascista Rogério Ribeiro.

  • No dia 15 de Julho, a URAP esteve presente na apresentação da revista "DIREITOS", da Associação Fronteiras - «Associação para a Defesa dos Direitos e Liberdades Democráticas». A sessão decorreu no salão nobre da Câmara Municipal de Setúbal.

  • A 15 de Novembro, a URAP fez-se representar no Encontro Comemorativo do 60º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, realizado no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa

  • A 19 Novembro, a URAP esteve representada no Encontro Comemorativo do 60º aniversário da Declaração dos Direitos do Homem.

  • No dia 25 de Julho, o núcleo da URAP do concelho de Almada esteve presente na iniciativa promovida pela Associação Portugal/Cuba, de solidariedade com as famílias cubanas atingidas pelos atentados terroristas promovidas pelos Estados Unidos da América, A sessão contou com a presença de Camilo Rojo Alvarez, presidente do Comité de familiares das Vítimas do Terrorismo contra Cuba.

  • No sábado 11 de Outubro esteve a Direcção da URAP e representantes do Núcleo do Seixal, no Encontro de Solidariedade com Cuba, organizado pela Associação Portugal/Cuba e a Biblioteca Museu República e Resistência.

  • A URAP, em 22 de Outubro, enviou saudações à Associação Espanhola Amigos das Brigadas Internacionais, pelas Comemorações do 70º aniversário da Despedida das Brigadas Internacionais que participaram na Guerra Civil de Espanha;



MUSEU SALAZAR:

Iniciou-se em 5 de Novembro do ano 2007 a apresentação na Assembleia da República de uma petição, solicitando a este órgão de soberania a condenação do processo que visava a criação do Museu Salazar e a tomada de medidas para impedir a sua concretização.

A direcção da URAP e membros do Núcleo de Viseu/Santa Comba - António Vilarigues, Mário Lobo e Alberto Lopes Andrade) foram recebidos a 23 de Abril, pela Comissão Parlamentar para Direitos, Liberdades e Garantias, sobre o Museu Salazar, a ser criado em Santa Comba pela autarquia local.

A 23 de Maio, foi enviado à URAP, o Relatório da Comissão Parlamentar sobre a Petição da URAP, onde era solicitado à Assembleia da República a condenação política do processo que visava a materialização do Museu Salazar e que tomasse medidas para impedir a respectiva concretização.

A petição promovida pela URAP e que foi subscrita por 16.000 pessoas foi apresentada no Parlamento a 4 de Julho de 2008. A petição foi considerada válida para ser sujeita a avaliação parlamentar pela Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, num parecer de 21 de Maio. No seu relatório final, a referida Comissão deu razão à URAP, ao considerar que a Assembleia da República deveria condenar politicamente qualquer propósito de criação de um museu Salazar e apelar a todas as entidades, e nomeadamente ao Governo e às autarquias locais, para que recusem qualquer apoio directo ou indirecto, a semelhante iniciativa.

O relatório considerava ainda fazer todo o sentido que fosse confiada à Assembleia da República a primeira linha de defesa dos valores do regime democrático de onde ela emana e que se solicitasse a esse órgão de soberania uma «tomada de posição inequívoca quando esteja em causa qualquer tentativa de reabilitação de valores, princípios ou personalidades marcantes do regime fascista.

A Assembleia da República discutiu e entendeu por larga maioria ( com os votos contra do PSD e do CDS), que o projecto do Museu não devia prosseguir.

 


MUSEU DA RESISTÊNCIA EM PENICHE

O Grupo de trabalho da URAP para a concretização do Museu da Resistência, tem continuado a trabalhar em aplicação do Protocolo de Cooperação com a Câmara Municipal de Peniche. Estão criados grupos de trabalho para diversas áreas necessárias a um museu com os objectivos que este se propõe alcançar.

Com participação activa da URAP foi organizada uma Exposição documental assinalando os 75 anos ddo início da utilização do Forte como prisão política da ditaaadura fascista, exposição que contnuará aberta durante todoeste ano.


VISITAS AO FORTE DE PENICHE

A 3 de Fevereiro dde 2009 largas dezenas de jovens em representação de organizações de todo o mundo visitaram o Forte de Peniche. Esta iniciativa foi promovida pela Federação Mundial da Juventude Democrática. Esta organização convidou Aurélio Santos - Coordenador nacional da URAP, para participar e proferir uma intervenção sobre a Fortaleza e a luta desenvolvida pelo povo português. Durante a iniciativa foi também relembrada a participação de Aurélio Santos no 3º Congresso Mundial da Juventude, em 1953.

Os Núcleos do Porto e de Santa Iria da Azóia organizaram também visitas guiadas ao Forte de Peniche. Orientou as visitas o antifascista Manuel Pedro, também sócio da URAP narrou alguns acontecimentos vividos por si próprio quando da sua prisão naquele Forte.


EXPOSIÇÕES

O Núcleo de Sines, com o apoio da Delegação de Setúbal, da Direcção da URAP e da Câmara Municipal de Sines, realizou em 18 de Janeiro, no Centro de Artes, uma exposição sobre "O 18 de Janeiro de 1934 - No País e em Sines", que contou com a participação de muitos sócios e cidadãos locais. A exposição evoca os protestos realizados por todo o país, contra as leis de fascização dos sindicatos decretadas em 1933 pela ditadura fascista.contra os sindicalismo livre, articuladas pelas organizações sindicais portuguesas, contra os sindicatos livres. Evoca também a paralisação maciça em que participou a localidade alentejana.

No dia 22 de Novembro o Núcleo da URAP no concelho do Seixal, levou a efeito um debate sobre o tema «25 de Abril - que Portugal temos, que Portugal queremos, Na perspectiva dos trabalhadores; dos jovens; das populações», no Independente Futebol Clube Torrense sedeada na Torre da marinha, freguesia de Arrentela. Simultaneamente esteve patente a exposição intitulada "25 de Abril - Um Cravo Vivo de Sonho". Participaram no debate Joaquim Judas - médico e Presidente da Assembleia Municipal do Seixal, Luís Barata um jovem e Américo Leal - Coordenador da Delegação da URAP em Setúbal e Augusto Madureira do Núcleo da URAP no concelho do Seixal, que dirigiu os trabalhos.

Esta sessão teve como objectivo a descentralização das actividades da URAP no concelho, permitindo desta forma levar ao conhecimento das populações, os objectivos da URAP e o questionar dos problemas, das preocupações, das necessidades e em comum participarem na alteração do estado de coisas, valorizando desta forma a importância da Liberdade e da Democracia. Estiveram presentes cerca de 60 pessoas, entre as quais a vereadora da Câmara Municipal do Seixal - Eng.ª Paula Santos, assim como o Presidente da Associação das Colectividades do Concelho do seixal e o Presidente da Direcção do Independente Futebol Clube Torrense.




A URAP NA FESTA DO AVANTE

No seguimento do ano passado, a URAP marcou presença na Festa do Avante 2008, em 5, 6 e 7 de Setembro, na área reservado a associações autónomas, com um pavilhão. No espaço estava patente uma exposição sobre as actividades desenvolvidas, foi exibido um filme sobre a luta antifascista e o papel da nossa organização; foram disponibilizados materiais sobre a URAP, como o boletim nacional. Na parede do fundo, localizava-se um plasma grande, onde foi passado um CD com as actividades desenvolvidas pela URAP no biénio 2007/2008.

FUNDOS

Algumas freguesias do concelho de Almada, têm-nos atribuído pequenos subsídios, destinados a apoiar as nossas actividades. Também a junta de Freguesia de Santa Iria da Azóia nos tem ajudado, assim como a Câmara do Sobral de Monte Agraço. O pagamento das quotizações melhorou paralelamente com a melhoria da organização dos núcleos. Também foram recebidos alguns donativos significativos. Foram editados postais e marcadores para livros, que foram vendidos no desfile do 25 de Abril e na Manifestação do 1º de Maio.


EXCURSÕES A LOCALIDADES QUE SE DESTACARAM NA RESISTÊNCIA AO FASCISMO

No dia 16 de Março o Núcleo de Stª Iria da Azóia, promoveu uma visita ao Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira. A URAP congratulou-se com a criação deste museu, tendo em conta o papel do Movimento Neo-realista na luta contra o fasci000smo e o seu empenhamento se na transformação das condições sociais do país.

A 31 de Maio, o Núcleo de Santa Iria da Azóia organizou uma visita ao Museu do Pão em Seia, com 27 participantes. A travessia da cidade e a subida até ao Museu em "comboio turístico" tornou-se um espectáculo alegre e divertido. A visita ao museu conforme havia sido previamente combinada, mostrou todo o ciclo do pão foi narrado e exemplificado desde os tempos primórdios até ao momento presentes. Visitaram também a Serra da Estrela.

No dia 22 de Maio o Núcleo da URAP do Seixal, conjuntamente com o Gabinete de Turismo da Câmara Municipal do Seixal, promoveu uma visita aos concelhos do Montijo e da Moita, para ser visto o seu vaaloroso património e espólio cultural.

O Núcleo de Santa Iria da Azóia em contacto com o Gabinete de Turismo da Câmara Municipal de Aljustrel organizou e preparou uma visita temática a Aljustrel em 25 de Outubro. Foram recebidos no salão de reuniões pelo Presidente da Câmara e por 2 Vereadores. Usaram da palavra o Coordenador da URAP e um elemento da Junta de Freguesia de Stª Iria e o responsável do Núcleo da URAP. O grupo visitou o Monumento alusivo à luta contra o fascismo da autoria do escultor Jorge Vieira; o Museu Municipal dedicado à arqueologia, das minas e à história do concelho. Visitaram depois Ervidel, onde no Museu Rural, foram recebidos pelo Presidente e Vice-Presidente da Junta de Freguesia.


Print Friendly, PDF & Email

Segue-nos no...

logo facebook

Boletim

foto boletim

Faz-te sócio

ficha inscricao 2021Inscreve-te e actualiza a tua quota
Sabe como

Quem Somos

logotipo urap

A URAP foi fundada a 30 de Abril de 1976, reunindo nas suas fileiras um largo núcleo de antifascistas com intervenção destacada durante a ditadura fascista. Mas a sua luta antifascista vem de mais longe.
Ler mais...

Últimos Artigos

União de Resistentes Antifascistas Portugueses - Av. João Paulo II, lote 540 – 2D Loja 2, Bairro do Condado, Marvila,1950-157, Lisboa