Por uma daquelas inexplicáveis coincidências históricas, foi justamente no dia em que se assinalavam os 60 anos da partida de Fidel Castro do México, no iate Granma, para iniciar a luta de guerrilhas na Sierra Maestra, que nos deixou, fisicamente, esse revolucionário exemplar que dirigiu a heróica luta que viria a libertar Cuba da ditadura de Fulgêncio Baptista.
Fidel Castro, apesar de ser procedente de uma família abastada, desde muito jovem adquiriu uma consciência social e política que o levou a tomar partido pelos mais desfavorecidos. Doutorado em Direito Civil, em 1950, defendia gratuitamente os pobres nos tribunais. Em 1953, liderou um grupo de revolucionários no assalto ao Quartel Moncada contra a ditadura. O fracasso militar do ataque acabaria por se tornar num triunfo político, pois no julgamento que se seguiu Fidel fez da sua própria defesa um memorável libelo acusatório contra o regime (A História me absolverá). Condenado a 15 anos de prisão, foi amnistiado em 1955 e exilou-se no México, onde organizou um destacamento revolucionário para continuar a luta, sendo constituído por 80 homens o contingente que embarcou no Granma a 25 de Outubro de 1956.
Desse grupo faziam parte, entre outros, Camilo Cienfuegos, o seu irmão Raúl Castro e o médico argentino Ernesto "Che" Guevara. O destacamento sofreu numerosas baixas e chegou a estar reduzido a apenas 12 elementos que, numa epopeia que ainda hoje assombra o mundo, lograram enfrentar um exército de 30 000 homens, convertendo uma luta de guerrilhas numa luta do povo contra a ditadura e que terminou com a vitória da Revolução Cubana nos primeiros dias de Janeiro de 1959.
A primeira grande medida para transformação do país foi a Reforma Agrária, com a expropriação das grandes fazendas e a distribuição de terras pelos camponeses pobres. Logo de seguida, a nacionalização dos bens das companhias norte-americanas na ilha, o que provocou represálias, quer o embargo económico decretado pelos EUA em 13 de Outubro de 1960, quer a tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em 17 de Abril de 1961, por 1500 mercenários, derrotados em três dias pelas forças armadas cubanas, na Batalha de Girón.
Proclamado o primeiro estado socialista do continente americano, em Cuba começou uma nova época de construção de uma sociedade liberta da opressão e da exploração imperialista, em que apesar do bloqueio económico imposto pelos EUA e que dura há 55 anos, foram possíveis enormes conquistas sociais e civilizacionais, sobretudo na educação, na saúde e na erradicação da pobreza.
Ao mesmo tempo que prosseguiam as transformações revolucionárias, Cuba esteve sempre solidária com as lutas libertadoras em todos os continentes.
Como disse Fidel: "Ser internacionalista é saldar a nossa própria dívida com a humanidade. Quem não é capaz de lutar pelos outros, nunca será suficientemente capaz de lutar por si próprio".
O exemplo de Fidel e de Cuba revolucionária inspiraram e animaram em Portugal a resistência antifascista e a luta pela liberdade, pois eram a prova concreta de que por mais cruéis que sejam as ditaduras, é possível derrotá-las através da luta organizada, apoiada nas massas populares.
Fidel e o governo de Cuba saudaram com entusiasmo a Revolução de Abril e, entre outras demonstrações de apreço pela nossa revolução, devemos destacar a condecoração, em 9 de Julho de 2003, do General Vasco Gonçalves, com uma das mais altas distinções da República de Cuba, a Ordem "Playa Girón".
A URAP expressa o seu profundo pesar ao povo de Cuba, ao Governo, ao Presidente Raúl Castro, à Embaixadora de Cuba em Portugal, e restante família de Fidel, transmitindo-lhes a solidariedade de resistentes antifascistas e democratas.



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