O partido neonazi Aurora Dourada, que chegou a ser o terceiro maior no parlamento grego, em 2015, foi dia 7 de Outubro considerado uma organização criminosa pelo Tribunal de Atenas, uma sentença histórica que finaliza cinco anos de julgamento.
A decisão judicial baseia-se em quatro casos: o assassinato do rapper grego Pavlos Fyssas, vários ataques a migrantes, atentados contra activistas de esquerda e a determinação do tipo de organização (criminosa ou não) que está na base do partido Aurora Dourada.
Segundo a Agência Lusa, o tribunal condenou vários dos ex-deputados do partido por participarem numa organização criminosa, e considerou outros culpados de liderarem essa organização criminosa.
Apenas 11 dos 68 arguidos estiveram presentes no tribunal, tendo os restantes sido representados pelos advogados. Nenhum dos ex-deputados do Aurora Dourada esteve no tribunal.
A sentença foi recebida com gritos e aplausos de mais de 15 mil pessoas que aguardavam a decisão na rua, frente ao tribunal, com faixas onde se liam frases como "Eles não são inocentes" ou "O fascismo não é uma opinião, é um crime".
Respondendo ao apelo da União Pan-helénica de Combatentes da Resistência Nacional e da Armada Democrática da Grécia (PEAEA-DSE), afiliada na Federação Internacional de Resistentes (FIR), e dos principais partidos gregos presentes no local, incluindo representantes do partido no poder, Nova Democracia (conservador), e os líderes do principal partido da oposição, a coligação de extrema-esquerda Syriza, logo de manhã, milhares de pessoas reuniram-se frente ao tribunal de Atenas a aguardar a sentença, acompanhados por altifalantes a tocar músicas de Pavlos Fyssas.
A organização humanitária Amnistia Internacional, que participou e ajudou a organizar uma rede para registar a violência racista na Grécia, também aplaudiu a sentença, sublinhando que a decisão vai aumentar os esforços daqueles que tentam processar judicialmente os crimes de ódio.
"As acusações contra líderes e membros do Aurora Dourada, incluindo a do assassinato de Pavlos Fyssas, mostram o início do desmoronamento [destas organizações] não apenas na Grécia, mas em toda a Europa", afirmou o director europeu da Amnistia Internacional, Nils Muiznieks.
"O impacto deste veredicto, naquele que é um julgamento emblemático de um partido de extrema-direita com uma postura agressiva anti-migrantes e anti-direitos humanos, será sentido muito além das fronteiras da Grécia", sublinhou.
O activista antifascista e rapper Pavlos Fyssas foi esfaqueado até à morte na noite de 18 de setembro de 2013, aos 34 anos, frente a um café do seu bairro de Keratsini, um subúrbio de Atenas.
O assassino, um dos líderes do Aurora Dourada, Yorgos Roupakias, admitiu o crime durante o julgamento e pode ser condenado a prisão perpétua.
A notícia de que o fundador e líder do partido, Nikos Michaloliakos, foi considerado culpado de "liderar uma organização criminosa" provocou explosões de alegria à frente do tribunal, onde a multidão se encontrava e recebeu também aplausos e gritos no tribunal.
Nikos Michaloliakos, de 62 anos, negacionista do Holocausto e admirador do nacional-socialismo, foi um dos 68 réus do julgamento condenados por um homicídio e duas tentativas de homicídio.
A investigação preliminar indicou que o partido operava como um grupo paramilitar, com ordens transmitidas pela liderança do partido a organizações de bairro e a gangues que realizaram ataques violentos a migrantes.



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