No Porto, dia 9 de Maio, cinco centenas de pessoas marcharam entre o Largo Soares dos Reis – junto ao edifício onde no fascismo funcionava a sede da PIDE/DGS – e a Rua de Santa Catarina, exigindo a criação de um museu da resistência na Cidade Invicta.
A manifestação, promovida pela URAP, contou com o apoio de 240 subscritores, personalidades ligadas à cultura, à academia, ao sindicalismo, à justiça, ao jornalismo e à intervenção cívica.
Maria José Ribeiro, do Conselho Nacional da URAP e ex-presa política naquelas instalações, Teresa Lopes, do Conselho Directivo, que apresentou, e o jovem estudante Rui Rodrigues, presidente da Associação de Estudantes da Escola Artística Soares dos Reis, usaram da palavra.
A resistente antifascista Maria José Ribeiro, que sofreu as masmorras da PIDE naquela cadeia extinta com o 25 de Abril, e tanto tem lutado pela criação do museu da resistência no Porto, fez um curto historial do que tem sido a luta dos democratas do Porto e da URAP ao longo do tempo, chamou ainda a atenção para a validade do projecto “Do Heroísmo à Firmeza” que mantém aberta a possibilidade das visitas poderem mostrar um pouco do que era o percurso dos presos naquele local, salientando a relação salutar de respeito e mútua cooperação mantida com as direcções do Museu Militar, que actualmente ocupam o edifício.
Rui Rodrigues ilustrou bem a consciência da juventude dos problemas actuais e a crescente vontade de lutar, organizadamente, por uma sociedade mais justa, retirando também lições do passado da resistência antifascista.
A marcha foi animada com palavras de ordem como “Memória, sim, esquecimento, não”. “Quem esquece a repressão, abre portas à opressão”. “Um museu para recordar, um povo para resistir”. “Liberdade e democracia, sim! Fascismo, nunca mais!”.
No final da marcha, Domingos Oliveira Dias, ex-preso, leu uma Moção que foi aprovada pelos participantes, onde se lia:
1.Reafirmar a importância de não esquecer o tempo tenebroso da ditadura, valorizando a resistência que lhe foi imposta e que abriu caminho aos valorosos militares patriotas para lhe pôr fim, dando sério combate à descarada reescrita da História e branqueamento do período fascista a que temos vindo a assistir;
2.Renovar a exigência da instalação do Museu da Resistência Antifascista no edifício do Heroísmo;
3.Exigir o cumprimento das Resoluções aprovadas na AR, designadamente a de 26 de Setembro de 2025, que recomenda ao Governo que seja fixada a calendarização para deslocalização do Museu Militar do edifício do Heroísmo, para aí instalar o Museu da Resistência, dotando, por via do Orçamento de Estado, as verbas necessárias para o desenvolvimento deste projecto;
4.Os participantes na marcha apelam a todas as instituições do Porto, às autarquias, designadamente à Camara Municipal, instituições de ensino, nomeadamente à Universidade, estruturas associativas e culturais, para que abracem este projecto intervindo para o tornar realidade.



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