A Assembleia Geral da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) dirigida pelo presidente da Mesa, João Madeira Lopes, reuniu-se, dia 21 de Março, na Casa do Alentejo, em Lisboa, com a presença de 121 sócios, 22 dos quais usaram da palavra.
A AG teve como ponto único da ordem dos trabalhos a apreciação e votação do Relatório de Actividades e das Contas de 2025 e do Plano de Actividades e Orçamento para 2026. Foi aprovada ainda uma moção sobre a Paz no Mundo e o futuro da Humanidade.
José Pedro Soares abriu a sessão, destacando a intervenção da URAP na preservação da memória e também actuando sobre os problemas da actualidade, destacando o significado positivo da derrota da extrema-direita na segunda volta das eleições presidenciais.
O coordenador da URAP, referindo-se à governação, considerou antidemocráticas medidas como o pacote laboral em discussão, e manifestou a sua preocupação com o afastamento da directora do Museu do Aljube, Rita Rato, sem que fosse apresentada justificação, e o que isso pode significar.
No plano internacional, o orador falou das relações da URAP com a Federação Internacional de Resistentes (FIR), de que é associada, e sublinhou a existências de guerras no mundo. Aludiu à acção criminosa dos EUA e de Israel na Palestina, a violação das leis internacionais no Irão, com o objectivo de se apropriar das riquezas do país, e a continuação da guerra na Ucrânia.
Mencionou ainda a ameaça dos Estados Unidos em relação a Cuba e a necessidade de prestarmos a nossa solidariedade ao povo cubano.
José Pedro Soares lembrou que durante este ano a URAP e a Constituição da República Portuguesa (CRP) celebram 50 anos e que urge comemorar devidamente envolvendo a juventude. Anunciou a edição de mais livros da URAP, um sobre o campo de concentração do Tarrafal, outro sobre a prisão do Porto e outros ainda sobre os médicos e os advogados na resistência, que é preciso divulgar amplamente através de sessões.
Falando da CRP, o coordenador da URAP analisou o processo histórico que levou à sua promulgação e considerou as revisões como uma contra-revolução. Comunicou que se vai publicar um livro sobre este tema na colecção “Cadernos da URAP”, a apresentar na Feira do Livro de Lisboa. A mesma colecção prevê publicar um livro sobre a Guerra Civil de Espanha (1936-1939).
O Relatório de Actividades de 2025 foi apresentado por Carlos Mateus, do Conselho Directivo, o Relatório das Contas e o parecer do Conselho Fiscal por Hermínio Martins, relator do CF, e o Plano de Actividades para 2026, por César Roussado, do Conselho Directivo.
O Relatório de Actividades de 2025 apresenta três pontos: iniciativas realizadas; questões de direcção, organização e informação; e questões financeiras.
Do Plano de Actividades para 2026, apresentado por César Roussado, destacam-se as celebrações da CRP, a 2 de Abril, e da libertação dos presos de Caxias e Peniche, a 27 de Abril; a inauguração da nova sede da URAP, a 30 de Abril; a celebração da inauguração do Museu Nacional Resistência e Liberdade, em Peniche; a excursão a Cabo Verde, com visita ao Tarrafal; as sessões nas escolas; a edição de livros; a luta pela criação do museu do Porto; o reforço dos núcleos com o objectivo de 500 novos sócios; o pagamento atempado das quotas.
Os participantes aprovaram, por unanimidade, uma moção sobre política mundial e as guerras que grassam na Europa e no Médio Oriente.
“A Paz no mundo e o futuro da Humanidade estão cada vez mais ameaçados face ao contínuo agravamento do clima de guerra vivido na Europa, com o prosseguimento da guerra na Ucrânia e mais recentemente com o alastrar da guerra no Médio Oriente”, lê-se na moção.
Depois de analisar os diversos conflitos que os Estados Unidos e Israel têm provocado, afirma que “nós, democratas e resistentes antifascistas, também não abdicamos do nosso dever de lutar pela causa da PAZ, pela defesa do respeito pelo direito internacional, a soberania e os direitos dos povos, causas essenciais para salvaguardar o presente e o futuro da Humanidade”.
Vinte e dois representantes dos núcleos da URAP intervieram na AG, tendo em comum um dos objectivos principais da URAP: as sessões nas escolas, para que os jovens conheçam o que foi o fascismo e a revolução do 25 de Abril.
Adelino Ferreira, do Núcleo de Peniche, para além de relatar as sessões que realizaram nas escolas, falou das visitas do roteiro da resistência da cidade de Peniche.
Irene Encarnação, do Núcleo da Moita, assinalou as actividades que programaram para este ano para assinalar os 50 anos da URAP, da CRP e do Poder Local. Destacou um espectáculo musical no Ginásio Clube da Baixa da Banheira em 18 de Abril; uma pintura mural dos 50 anos da URAP, dias 11 e 12 de Abril; o VI ciclo cinema; e a acção junto das escolas, com as quais têm parcerias. Anunciou que os estudantes fizeram um roteiro da resistência.
Adilo Costa, do Núcleo Setúbal/Palmela, informou que realizaram diversas sessões, umas nas escolas, com a colaboração de professores e bibliotecários, e outras para apresentação dos livros editados pela URAP. Disse que houve um reforço da direcção do núcleo e que este tem um plano de trabalhos ambicioso. Considerou que o ascenso da direita e da extrema-direita criou uma correlação de forças desfavorável, nomeadamente a nível do poder local, que mantinha um bom relacionamento com a URAP. Estas repercussões sentem-se no território, designadamente através de posições islamofóbicas a partir de actuais eleitos na freguesia do Poçeirão.
Edgar Costa, do Conselho Directivo, falou sobre o trabalho nas escolas, e anunciou que foi criada uma comissão especificamente para o trabalho das escolas, que promoveu o 1º encontro sobre o tema, em 7 de Março. Nele participaram 80 pessoas, entre as quais professores e estudantes.
José Manuel Maia, do Núcleo de Almada, fez um balanço orgânico do núcleo: número de sócios e situação do pagamento de quotas. O trabalho de direcção é feito por oito companheiros que reúnem regularmente, pelo menos uma vez por mês. Têm feito sessões em escolas e pretendem trabalhar com escolas secundárias com envolvimento das associações de estudantes, como já está programado com a associação de estudantes da Escola Anselmo de Andrade. Vão pintar um mural dos 50 anos da URAP.
Ana Pato, do Conselho Directivo, falou sobre os meios de informação da URAP: boletim, site e redes sociais. Referiu, nomeadamente a criação, desde a última AG, de um perfil da URAP no Instagram. Assinalou a importância do envio de informação por parte dos núcleos e o objectivo de um boletim para celebrar os 50 anos da organização. Considerou haver necessidade de mais tomadas de posição sobre matérias da actualidade.
Ana Paula, do Núcleo de Marmeleira, de Montemor-o-Novo, disse que a URAP evocou os 80 anos do assassinato de Germano Vidigal e que foi descerrada uma lápide em sua homenagem.
Manuel Glória, do Conselho Nacional, interveio sobre a importância dos livros que a URAP vem publicando, como registo de factos e transmissão de memória. Os livros são igualmente uma fonte de receita.
Laurinda Bacalhau, do grupo de trabalho para as questões organizativas, referiu a importância da organização da base de dados para a estruturação do trabalho, recolha de quotas, informação aos sócios e organização dos núcleos. Estão registados 58 núcleos na base de dados. Fez um balanço dos novos sócios, considerando que é necessário inscrever mais mulheres e rejuvenescer a organização. A faixa etária média é muito elevada. Para os 50 anos da URAP vão ser entregue novos cartões, revelou.
Isabel Vicente, do Conselho Nacional, falou do núcleo do Barreiro, nomeadamente do relatório que especifica as várias actividades na URAP, destacando a evocação do 3 de Maio. Relatou as experiências positivas das sessões nas escolas e do envolvimento dos alunos. Em 2026, o plano de actividades do núcleo inclui o trabalho com as escolas inserido no projeto “Guardiões e Guardiãs da Memória”, em parceria com a associação de colectividades do concelho. O núcleo tem a preocupação de fazer novas inscrições.
Artur Ramísio, do Conselho Nacional, descreveu a actividade do núcleo de Aveiro, que tem participado num conjunto de acções de massas pela defesa dos direitos sociais. Para 2026, o plano compreende novas apresentações de livros editados pela URAP; sessões em escolas; o jantar comemorativo do 25 de Abril; participação nas comemorações populares do 25 de Abril e do 1º de Maio; preparação de uma visita ao museu Aristides Sousa Mendes; participação na Feira do Livro de Aveiro; organização de um concerto e de uma sessão pública para assinalar a guerra civil de Espanha. Irão pintar um mural dos 50 anos da URAP.
Teresa Lopes, do Conselho Directivo, relatou que o núcleo do Porto tem participado em acções de massas pela paz, habitação, contra o pacote laboral. Vai organizar uma acção de rua sobre os 50 anos da CRP. Promoveu sessões em escolas e também duas sessões de cinema: do filme “Aqueles que ficaram (Em toda a parte todo o mundo tem)”, de Marianela Valverde e Humberto Candeias e do filme “A Voz das Camaradas” de João Lopes. Deu apoio a trabalhos académicos. Continua a luta pela existência do museu da resistência antifascista no Porto, tendo previsto, para o efeito, um desfile no próximo dia 9 de Maio. No âmbito da evocação da Guerra Civil espanhola, vão visitar Cambedo da Raia. Estão a organizar um almoço para celebrar os 50 anos da URAP.
Bernardino José Grilo, do Conselho Nacional, falou sobre o concelho de Évora e a actividade do núcleo, que reúne regularmente com sete pessoas e mantém uma relação institucional com a Câmara Municipal. O núcleo pretende ter uma sede. Estão a programar o aniversário da URAP numa colectividade, convidando várias associações, em Setembro. Estão a elaborar um documentário sobre um tarrafalista eborense. Participam em todas as acções que visam a paz no Mundo.
Gil Marovas, do núcleo de Almada, disse o poema da sua autoria, “Amigo” e “Ouvindo Beethoven” de José Saramago, no Dia Internacional da Poesia.
Hermínio Martins, do Conselho Fiscal, afirmou que o núcleo de Coimbra tem novos sócios e tem participado nas várias actividades centrais da URAP, tal como na homenagem ao tarrafalistas. Este ano, prevê realizar uma sessão sobre os 50 anos da URAP, e reforçar o número de sessões nas escolas. Tem em preparação um livro sobre os presos políticos de Coimbra.
Manuel Santos Pereira, do Conselho Nacional, falou em nome do núcleo da Marinha Grande. Anunciou que a URAP e outras organizações têm um armazém em Leiria para concentrar os contributos para a campanha de solidariedade com Cuba, considerando como terrorista o ataque a países soberanos e as ameaças a Cuba. Referindo-se à Marinha Grande, fez notar as alterações sociais ocorridas com o encerramento de fábricas vidreiras. Em resultado da diminuição dos operários, as comemorações do 18 de Janeiro ressentiram-se. A URAP desempenhou um papel importante no reavivar destas comemorações.
Matilde Lima, suplente do Conselho Directivo, falou sob a participação da URAP na comissão das comemorações populares do 25 de Abril, em Lisboa, juntamente com outras organizações. Reforçou a ideia de que no actual quadro de correlação de forças é importante defender a CRP, no seu 50º aniversário, dado que ela incorpora as conquistas da revolução. Considera importante a presença da URAP na comissão organizativa da evocação. Lembrou que este ano, em Caracas, Venezuela, ocorre o Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes e que a URAP faz parte do Comité Nacional Preparatório. Chamou a atenção para a necessidade de divulgar a iniciativa junto dos jovens.
Eugénio Ruivo, do Conselho Nacional, divulgou a actividade do núcleo de Mafra junto das escolas do concelho que continua este ano, havendo já vários agendamentos. Assinalou que existe maioritariamente uma muito boa receptividade nas escolas, embora esta coexista com traços preocupantes, como o caso de uma escola que pediu que a intervenção do orador convidado não fosse feita em nome da URAP, dado o ambiente existentes junto dos encarregados de educação. Defendeu a importância da adequação das intervenções dos oradores nas escolas à idade e composição social dos alunos e que a proximidade do contacto é importante para a sensibilização dos jovens.
Pedro Pinheiro, do Conselho Nacional, afirmou que o Núcleo da Amadora tem cerca de uma dezena de participantes activos, embora enfrente a dificuldade de não ter um local fixo para se reunir, recorrendo a instalações de outras entidades. Manifestou preocupação com os tempos conturbados e confusos em que vivemos, marcados pelo crescimento de organizações de extrema-direita.
Celestino Brasileiro, do Conselho Nacional, diz que a URAP deseja formar um núcleo em Alpiarça. Para isso, os sócios têm contado com o apoio do núcleo de Santarém. Considera que nestes tempos conturbados, a URAP pode desempenhar um papel importante, nomeadamente junto dos que já nasceram depois do 25 de Abril. Tem participado em sessões em escolas e trouxe exemplos concretos da avidez com que os estudantes recebem os relatos do tempo da ditadura e da resistência.
José Raimundo Salgado Jesus, do Núcleo de Grândola, deu informações sobre o recém formado Núcleo do Litoral Alentejano, que envolve vários concelhos, e tem boas perspectivas de crescimento com a entrada de novos sócios. Fizeram já algumas apresentações de livros publicados pela URAP e participaram na Feira de Grândola com um stand próprio. Estão previstas novas iniciativas como uma sessão na Universidade Sénior que junte avós e netos.
No final do debate o Presidente da Assembleia Geral da URAP pôs à votação em separado, os três documentos - Relatório da Actividade, Plano de Actividades e Relatório e Contas, os quais foram votados e aprovados por unanimidade.
Na Assembleia Geral da URAP estiveram presentes 121 associados vindos de Porto, Aveiro, Coimbra, Figueira da Foz, Viseu, Santarém, Peniche, Marinha Grande, Mafra, Odivelas, Loures, Santa Iria da Azóia, Vila Franca de Xira, Lisboa, Algueirão/Mem Martins, Agualva/Cacém, Queluz, Amadora, Almada, Seixal, Moita, Setúbal, Palmela, Barreiro, Litoral Alentejano, Portalegre, Évora, Montemor-o-Novo, Beja e Silves.



Inscreve-te e actualiza a tua quota