

Em 18 de Janeiro de 1934 o movimento sindical promove uma jornada nacional contra a lei de criação dos sindicatos fascistas, que assume carácter insurreccional na Marinha Grande.
Em Setembro de 1939 a organização comunista ORA (Organização Revolucionária da Armada) promove a «revolta dos marinheiros», em que os navios Afonso de Albuquerque e Dão tentam forçar a barra do Tejo para se juntarem à luta da República espanhola contra a insurreição fascista de Franco, apoiada por Hitler, Mussolini e Salazar.
Desenvolveu-se em Portugal um grande movimento de solidariedade ao povo espanhol.
Mas subestimaram-se as insuficiências dos métodos de defesa numa tão severa clandestinidade. Às debilidades do trabalho clandestino somou-se o agravamento da repressão fascista, estimulada pelo ascenso do fascismo na Europa.
Muitos dirigentes e militantes comunistas, assim como militantes sindicalistas, anarquistas e participantes do movimento do 18 de Janeiro e da revolta dos marinheiros, são enviados para o Campo de Concentração do Tarrafal, aberto em 1937, nos moldes dos campos nazis, e de onde 42 dos deportados não regressaram vivos.
AURÉLIO SANTOS. "As primeiras lutas contra a ditadura" in "O fascismo em Portugal, a luta popular e a unidade antifascista – algumas notas". Boletim da URAP de 04.05.2007.
O núcleo do Porto da URAP organizou na Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta, Matosinhos, dia 11 de Janeiro, uma conversa sobre o livro Forte de Peniche, Memória, Resistência e Luta e o futuro museu a instalar na Fortaleza de Peniche.
A sessão foi presidida por Maria José Ribeiro, José Pedro Soares e Celestina Leão, membros dos corpos sociais da URAP, e por Pedro Brandão, membro do executivo de S. Mamede Infesta e Senhora da Hora, que dirigiu a sessão.
No final da reunião, já depois da meia-noite, os cerca de 40 participantes homenagearam Maria José Ribeiro pelo seu aniversário, 83 anos ao serviço da luta antifascista desde a adolescência, presa três vezes, e da construção do Portugal democrático, estando envolvida em várias causas, nomeadamente no projecto museológico "Do Heroísmo à Firmeza", na antiga cadeia da PIDE no Porto.
Maria José Ribeiro é filha de Joaquim Ribeiro, um revolucionário que participou na Revolta dos Marinheiros de 1936, e passou 16 anos no Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde.
José Pedro Soares, um dos ex-presos políticos libertados do Forte de Peniche no dia 27 de Abril de 1974, foi o orador convidado para uma sessão destinada a celebrar o 25 de Abril e a luta da resistência antifascista, dia 12 de Janeiro, na Junta de Freguesia de Parada de Todeia, concelho de Paredes.
Presidida pelo presidente da Junta de Freguesia, Albertino Santos, que saudou a iniciativa enquadrando-a num dos objectivos que tem pautado a acção daquela Junta, coube a Cristiano Ribeiro, eleito da CDU na Assembleia Municipal de Paredes, fazer a apresentação do orador convidado.
José Pedro Soares lembrou, com muitos factos e histórias vividas, o que foi a repressão fascista, mas também a capacidade de resistência dos que sempre acreditaram e lutaram pela liberdade e a democracia.
"A defesa dos direitos humanos é para os antifascistas um ponto-chave na defesa da liberdade democrática, que está hoje sob ataque, sob formas novas, mais sofisticadas, através das novas tecnologias de informação e comunicação", afirmou o presidente da Assembleia-Geral da URAP na Conferência Europeia organizada pela Associação Nacional dos Resistentes de Itália (ANPI).
Levy Baptista falava na conferência dedicada ao tema "Ser Antifascistas Hoje na Europa - Emergência Democrática: uma resposta unitária e popular ao velho e novo fascismo", que decorreu a 14 e 15 de Dezembro em Roma.
Depois de referir que os 48 anos de fascismo em Portugal "foram uma experiência dolorosa, mas também uma lição que nos permite estar sempre atentos a formas de opressão quotidianas que nos possam privar dos direitos mais elementares, da liberdade e das garantias reconhecidos pela Constituição da República nascida na Revolução dos Cravos de Abril de 1974, que nos libertou do fascismo e do colonialismo, o orador alertou para o perigo da "democracia do voto" exemplificando que "existem exemplos disso no Brasil, nos Estados Unidos, ou mesmo na Andaluzia".
"No Portugal de hoje, a relativa estabilidade política e social talvez seja enganosa: enquanto o poder político preferir pagar os milhões de dívida ao FMI e deixar os salários bloqueados pelos anos negros da troika, o descontentamento continuará (...)", disse, acrescentando que "nesta conferência europeia contra o fascismo, a URAP confirma a solidariedade dos antifascistas portugueses para com todos aqueles que, especialmente na Europa desta União Europeia, são vítimas da redução ou remoção de direitos, do empobrecimento, da exclusão social".
Na conferência - aberta pelo resistente e dirigente político Aldo Tortorella e encerrada por Carla Nespolo, presidente nacional da ANPI - participaram representantes de organizações antifascistas e democráticas de 14 países europeus, e contou com uma saudação da democrata brasileira Manuela d´Ávila.
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