"Tinha 12 anos e vivíamos no Bairro de Alvalade, num r/c, e um dia, de madrugada, acordo com violentas punhadas na minha janela do quarto que dava para as traseiras, abri estremunhado as portadas e vi dois homens de pistola em punho. ´É a polícia, abra´. Seguiram-se cenas de indignação e angústia (...) e levaram o meu pai. Passaram-se dias sem qualquer informação e lembro com nitidez a ida com a minha mãe, de mão dada, à António Maria Cardoso para exigir notícias e uma visita. Recordo perfeitamente um cheiro a perfume, e estou a ver ainda as unhas bem cuidadas, envernizadas, das mãos do inspector Sacheti, a sua calva brilhante e luzidia, o seu rosto inexpressivo, e pensei: é este o homem que está a fazer mal ao meu pai!"
Estre trecho da intervenção de Aguinaldo Cabral na sessão de homenagem ao escritor, novelista, investigador e militante antifascista Alexandre Cabral por ocasião do centenário do seu nascimento retrata o ambiente que se vivia em Portugal durante o regime de Salazar: a arbitrariedade, o desrespeito, até pelas crianças, e a afronta pelos direitos humanos mais elementares.
Perante cerca de meia centena de pessoas, a sessão de dia 11 de Outubro organizada pela URAP e pelo Museu do Aljube destacou a figura de Alexandre Cabral também com uma intervenção do escritor Modesto Navarro, amigo do homenageado, a passagem de um filme e a leitura de excertos do livro "Memórias de um Resistente" (1970) pelo actor Fernando Tavares Marques.


A URAP e o Museu do Aljube promovem uma sessão de homenagem a Alexandre Cabral, por ocasião do centenário do seu nascimento. A iniciativa terá lugar no dia 11 de Outubro, Quarta-feira, às 18h, no museu.
Aurélio Santos, coordenador da URAP entre 2006 e 2013 e actual membro do Conselho Nacional, antifascista desde a juventude que dedicou a vida ao combate pela democracia e membro do Partido Comunista Português, do qual foi dirigente, morreu este Sábado, 30 de Setembro, aos 86 anos.
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