
"Em 18 de Fevereiro de 1978 – cumprem-se hoje precisamente 39 anos – numa grande homenagem nacional, foram transladados para este mausoléu os restos mortais dos 32 heróis mártires assassinados no sinistro Campo da Morte Lenta", afirmou José Vargas na cerimónia anual da URAP no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa.
Cerca de 100 pessoas estiveram presentes, sábado, junto ao Mausoléu Memorial dos Tarrafalistas para homenagear os antifascistas assassinados, numa cerimónia que contou com a apresentação de Bento Luís, da direcção da URAP - que agradeceu à Voz do Operário e à USL o apoio logístico -, e um momento cultural com música e poesia por Rui Galveias e Pedro Salvador, do grupo Nó.
O médico psiquiatra António Esteves, democrata e resistente antifascista, morreu hoje em Lisboa aos 100 anos.
António Esteves, antifascista e lutador pela democracia, era membro fundador da URAP e entre 1950 a 1974 apoiou muitos presos políticos e resistentes, não se deixando intimidar pela PIDE e não permitindo nunca que os agentes estivessem presentes em qualquer acto médico para que fosse solicitado nas cadeias de Caxias ou Peniche, ou instituições médicas privadas ou públicas.
Psiquiatra conceituado e cidadão exemplar, desde muito jovem combateu o fascismo e denunciou sempre os riscos, inclusivamente de morte, em que os presos políticos muitas vezes incorriam em virtude das torturas ou de falta de assistência médica.
Após o 25 de Abril de 1974, em 2 de Maio, foi eleito por unanimidade, em Assembleia Geral de todos os trabalhadores do Hospital Júlio de Matos, para a Comissão de Gestão. Durante toda a sua longa vida foi um profissional competente e rigoroso e até ao fim manteve a mesma coerência política, nunca se afastando da intervenção cívica.
O núcleo da URAP de Santa Iria de Azóia organizou uma ida ao teatro Joaquim Benite, em Almada, dia 29 de Janeiro, para assistir à peça "Noite da Liberdade", do austro/húngaro Ödön Von Horváth.
Integrada nos passeios culturais que o núcleo realiza, 53 sócios e amigos do núcleo da URAP de Santa Iria de Azóia foram confrontados com uma declaração de amor à democracia e sobre a utilidade de defendê-la, face ao crescimento dos partidos de extrema-direita na Europa (representados, inclusive, no Parlamento Europeu) e ao estiolar da participação política dos cidadãos.
O texto, do início dos anos 30, questiona como pode a democracia medrar sem democratas que a defendam.
Um dos grandes símbolos da resistência antifascista, Georgette Oliveira Ferreira, a primeira mulher a evadir-se de uma prisão política, morreu dia 3 de Fevereiro em Lisboa.
O corpo de Georgette Ferreira estará na Igreja de S. João de Deus, na Praça de Londres, a partir das 16:30 de hoje, e o funeral realiza-se amanhã, dia 5, pelas 15:15 para o cemitério do Alto de S. João.
Mulher corajosa, combativa, firme na luta pelos seus ideais, nasceu em Alhandra, em 1925. Filha de trabalhadores rurais pobres trabalhou na agricultura, primeiro, e foi operária têxtil, em seguida.
Tal como as irmãs Sofia e Mercedes Ferreira, desde muito nova se evidenciou como militante e, posteriormente, dirigente do Partido Comunista Português, ao qual aderiu na década de 40, quando era operária têxtil.
O seu relacionamento com Alves Redol, Carlos Pato e Soeiro Pereira Gomes, entre outros nomes locais, muito contribuíram para a sua formação política. Interveio, em 1943, na luta pela criação de uma secção do Sindicato das Costureiras em Vila Franca.
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