"O Tarrafal não foi um sonho mau; foi um crime tremendo, friamente meditado e friamente executado", disse o preso político Francisco Miguel, o último sobrevivente a sair do Tarrafal, em 1953, depois de ter sido enviado para lá por duas vezes – em 1940 e em 1951 –, cumprindo dez anos de prisão. O campo da morte lenta estava aberto desde 29 de Outubro de 1936, com 152 presos políticos, 32 dos quais seriam transladados, em 28 de Fevereiro de 1978, para o Mausoléu dos Tarrafalistas, no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa.
"Ao cabo de Cabo Verde/dobrado o cabo da guerra/quando o mar sabia a sede/e o sangue sabia a terra/acabou por ser mais forte/a esperança perseguida/porque aconteceu a morte/sem que se acabasse a vida.(...)Todos vivos! Todos nossos!/vinte trinta cem ou mil/nenhum de vós é só ossos/sois todos cravos de Abril!", cantou Ary dos Santos nesse dia.
Os presos tinham saído de Lisboa a 18 de Outubro de 1936, e entre eles estavam 37 participantes do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande e alguns dos marinheiros que tinham participado na Revolta dos Marinheiros ocorrida a bordo de navios de guerra no Tejo, em 8 de Setembro daquele ano. Ao todo, estivera lá 340 antifascistas. Entre eles o secretário-geral do PCP, Bento Gonçalves, que não voltou.E quem não morreu, regressou com a saúde seriamente comprometida.


Visitas guiadas por ex-presos políticos no Forte de Peniche, intervenções políticas e canto livre preencheram, dia 26 de Outubro, o Encontro-Convívio de ex-presos políticos, familiares e antifascistas que se reuniram para celebrar a construção do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade.
Bento Jesus Nunes Luís, dirigente da URAP desde 2013 e responsável pelo núcleo de Vila Franca de Xira, morreu ontem, dia 21 de Outubro. A surpresa desta notícia bateu forte em todos os companheiros e amigos. A URAP apela à participação numa homenagem amanhã, quarta-feira, a partir das 10:30 na casa mortuária de À-dos-Loucos, de onde o corpo seguirá às 15:30 para o cemitério de São João dos Montes.
O corpo do ditador espanhol Francisco Franco, que morreu em 1975, vai ser transferido na próxima 5ª feira, dia 24 de Outubro, do memorial do Vale dos Caídos, no Escorial, a 40 quilómetros de Madrid, para o cemitério em El Pardo-Mingorrubio, nos arredores da capital, onde está o túmulo de sua mulher, conforme anunciou o Conselho de Ministro de Espanha.

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